sexta-feira, 23 de setembro de 2011

*PASTOREANDO O CORAÇÃO DAS CRIANÇAS*

O que é pastorear:
É a ação coordenada que objetiva o anúncio do Reino de Deus e se expressa no testemunho pessoal e comunitário, através da vivência da fé, da esperança e do amor.

Pastorear a criança:
Pastorear crianças é educa-las em valores para a vida, para o amor e para a paz. Pastorear a
criança é acolher, é orientar, é animar, é estar pronto, é servir, é acarinhar, é colaborar, é amar...
Todos e todas são responsáveis pelas crianças. De maneira especial a família, os professores e as professoras, os pastores e as pastoras são os que mais diretamente são responsáveis pelo pastoreio das crianças.
A educação da criança é global. É a partir do que a cerca que a criança vai aos poucos sentindo,
vendo, ouvindo e aprendendo ser ela mesma. Por isso o cuidado, a sensibilidade, a bondade e o amor são de importância fundamental para a criança. Ela aprende não tanto pelo que dizemos, mas muito mais pelo que somos e pelo que fazemos.
Os pastoreio do coração da criança é uma ação comunitária onde o pai, a mãe, os avós, os tios/as, os educadores/as e todos os irmãos e irmãs da igreja tem uma enorme influência na ação educativa da criança... Aquele e aquela que são chamados para pastorear a criança são chamado para contribuir na construção de um caminho no qual viver é amar . Amar a Deus, amar os seres humanos, amar a natureza, amar os animais, amar o sonho de Deus.

Quando pastorear as crianças:
É necessário e muito importante conhecer as características das crianças e entender as situações
que influenciam seu desenvolvimento integral.
Já desde a gestação, e nos primeiros anos da vida, a criança experimenta, associa a mãe , ao pai, às pessoas com as quais convive e ao ambiente , as mais variadas sensações
- proteção ou abandono
- bem querer ou mal querer
- ser mais uma ou ser única e esperada introjeta, faz o registro afetivo em si de todo o clima
familiar.

O período de 0 a 6 anos é muito importante. Nesta a criança ainda não é capaz de alto-condução e então é o/a adulto/a que estabelece as normas de comportamento para elas.

Sabemos que há uma relação do desenvolvimento humano com a fé. Esta relação começa nos
primeiros anos da vida, quando a criança interage com seus pais ou responsáveis. A fé se desenvolve como uma espiral, com forte resultados das situações vivenciadas pelas crianças nas relações com as pessoas e ambiente em que vivem.

A integração no universo é um permanente processo evolutivo, uma constante auto-
elaboração e necessidade que se renova a cada manhã e que se torna mais aguda em determinadas faixas de idade de nossa existência (criança, adolescente, idoso/a).

As crianças de 6 a 9 anos começam a responder por elas mesmas, têm a capacidade
maravilharem-se, são afetiva e têm muita sensibilidade.

Dos 9 a 12 anos ocorrem muitas mudanças. Despertam para a criatividade, surge os "grupos".

Como pastorear o coração da criança:
Cuidar de cada momento do desenvolvimento

A espera do nascimento:
A pastoral começa com o pai, a mãe e toda a igreja. Encontrar tempo para conversar sobre o nascimento da criança ela vai se localizar na
família - primogênita, caçula, seus irmãos, suas irmãs e avós...
Falar sobre batismo. A importância da nossa herança de fé.
O nascimento: Manifestar a alegria da chegada da criança - (um cartão, uma flor, um livro).
A visita pastoral é esperada pela família com grande espectativa.
O anúncio na igreja - bonito cartaz , painel - Acolhida e apresentação da criança no primeiro dia que ela for a igreja.


O batizado:
O pastor não deve incentivar o batismo da criança. Algumas igrejas históricas batizam crianças, contudo; a maioria não batiza por entender que a criança ainda não tem uma opinião formada sobre a vida em sí, bem como ao plano da cruz de Cristo. Realmente, Jesus afirma que as crianças são membros do reino de Deus "E qualquer que receber, em meu nome, uma criança tal como esta, a mim me recebe".
Isto não quer dizer que seja prudente a precipitação ao batismo como já mencionado no texto. 

Devemos sim, conversar com as crianças da igreja sobre batismo, ceia, etc... Batizar crianças é outra história.

A escola:
A educação cristã acontece em todos os espaços da igreja , tanto nos espaços físicos quanto nos "espaços" de convivência. A escola deve ser um lugar de muita experiência
boa para as crianças de todas as idades.
As crianças pequenas até quatro anos aprenderão nossas atitudes e valores.
Os/as adultos/as que amam e cuidam da criança transmitem, por meio de seus atos que Deus é
amor e que ele ama e cuida de seus filhos e filhas. As várias atividades que visam o desenvolvimento total da criança ajudam a construir o alto conceito : "Sou amado/a. Tenho capacidade de crescer, amar, participar e contribuir para um mundo melhor". Os frutos do espirito - amor, alegria, paz, paciência, bondade, humildade, fidelidade, domínio próprio - são características que devem fazer parte de nossa vida se vamos compartilhar nossa fé com as crianças.
O pastor/a deve visitar as classes das crianças incentiva-las, elogia-las, contar histórias e outras
atitudes muito importantes.
Dar especial atenção as fazes da participação na escola dominical.
Estabelecer os ritos de passagem - do berçário para o jardim e assim por diante. Explicar para as crianças, conversar, deixar que elas falem de seus sentimentos. Oferecer um legado que marque este momento de passagem.

O culto:
" O pastor/a precisa trabalhar o culto, tornando inclusivo às crianças."

Santa ceia:
" A criança como herdeira do Reino de Deus, não deve participar da seia do Senhor até que venha a idade da plena compreensão (12 anos de idade seria o ideal).



A vida escolar:
É importante demonstrar interesse pastoral para as crianças com respeito a seus estudos . Orar com elas no início do ano letivo, conhecer suas dificuldades e descobrir como incentiva-las. Organizar encontros para conversar com as crianças sobre suas escolas. É possível entender muito mais as crianças a partir dessas experiências conjuntas. Outras atividades muito interessantes são com relação as ferias. Pode-se organizar encontros para ver filme, comer pipoca e criar atividades de jogos, teatro, música e tantas outras. Sem saudosismo mas ainda tem "sabor" organizar pick-nick.

O aniversário:
É o dia especial de cada uma criança. É importante ter a relação de todas as
crianças com a data de nascimento. Quando for telefonar, saiba quantos anos ela estão fazendo. Criança gosta que saibam sua idade certa.

Lúcia Leiga de Oliveira
É membro da Igreja Metodista no bairro Planalto, em Belo Horizonte, 

assessora do Projeto Sombra e Água Fresca.

Adaptação: Roberto Avelar
  
FONTE: http://paratiasetios.blogspot.com

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

*À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF*


Brasil, 12 de agosto de 2011.

Excelentíssima Presidenta Dilma Rousseff.

Vimos a sua atenção, respeitosamente, solicitar que leia esta carta com o máximo de atenção, pois um "holocausto" oficioso está sendo imposto as crianças portadoras de doenças genéticas, raras e degenerativas.
Com o direito que nos foi oficializado por um estatuto registrado em cartório, como representantes do Instituto Eu Quero Viver, ONG idealizada e criada pela atriz brasileira Bianca Rinaldi para dar apoio aos portadores dessas doenças, mais precisamente e neste momento, a Mucopolissacaridose, queremos demonstrar veementemente a nossa indignação para o descaso que estes portadores e seus familiares vêm recebendo dos governos estaduais, através das suas secretarias de saúde e pedir a sua valiosa ajuda, pois já esgotamos todos os meios disponíveis ao nosso alcance.
Em março deste ano, estivemos com o Ministro Alexandre Padilha em Brasília com a ajuda e na presença do Senador Marcelo Crivella para pedir por uma solução definitiva para o problema. Infelizmente, não obtivemos nenhum resultado com esta audiência.
Por se tratar de medicamentos extremamente caros e que não estão na lista do SUS, por motivos apresentados pelo seu Ministério da Saúde, motivos estes contestáveis pelos direitos humanos de qualquer País, os portadores são obrigados a acionar judicialmente o Governo para poder receber um tratamento que lhes são, por direito constitucional, devido. Porém a lei não é cumprida. A decisão judicial é ignorada e agora, mais uma vez, o Estado de São Paulo encontra-se sem os medicamentos Idursulfase e Galsulfase, respectivamente para Mucopolissacaridos II (MPS II) e VI (MPS VI).
Nossos portadores padecerão com esta doença que não perdoa "falhas". O resultado é certo: A Morte!
Este terrível problema já está se tornando corriqueiro e inconcebível, uma vez que nossos portadores precisam deste tratamento para garantir-lhes A VIDA.
Algo precisa ser feito para que estas famílias dos portadores, não precisem passar mais por isso.
Está se tornando um descaso com aqueles ao qual o Estado deveria proteger.
Quando questionamos o Ministério da Saúde, ele nos responde que a parte dele está sendo feita e que devemos procurar a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.
A primeira parte da resposta, já não é verdadeira pois estes são os portadores que acionaram o Ministério da Saúde, e que estão atualmente aguardando os seus medicamentos:

DÉBORA DA SILVA RODRIGUES – MG
ISABELA DOS SANTOS COSTA- MG
ANA RITA MOREIRA MARTINIANO DINIZ - PB
IVAN MATHEUS OLIVEIRA DE AZEVEDO – AM
LUIZ GUSTAVO TEIXEIRA VIANA - RJ
DENISE BRUNETTI KANSLER - SP
BEATRIZ LETÍCIA GOMES DE ABREU - SP

E a segunda parte da resposta, nos parece um pouco fora de propósito quando um Ministério como o da Saúde "lava as suas mãos", pois o problema deixa de ser dele e passa a ser do Estado.
Pelo que entendemos, os Estados estão sob a supervisão do Governo Federal.
Excelência, em nome de todos os portadores de Mucopolissacaridose, do Instituto Eu Quero Viver e das Associações de Familiares dos Portadores, lhe imploramos ajuda e nos colocamos à disposição para colaborar dentro das nossas limitações, com Vossa Excelência para reverter esta situação.

Atenciosamente
Bianca Rinaldi - Presidente
Eduardo Menga – Tesoureiro












FONTE: Clique Aqui

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

*SER DIFERENTE É NORMAL*

As pessoas precisam entender que as crianças com necessidades especiais não estão doentes. Elas não procuram uma cura, apenas aceitação. Noventa e três por cento das pessoas não irão querer copiar e colar este texto. Quê tal fazer parte dos sete por cento e deixá-lo no seu mural (blog, site) por, pelo ao menos, uma semana?


sábado, 6 de agosto de 2011

*AS BASES do CLOWN*

“Uno no actúa un Clown, uno lo es”.
(Jacques Lecoq)

Observa a ti mesmo... tuas ações, tuas reações, tua maneira de ser, de caminhar, de ver o mundo, de expressar-se. E exagera a ti mesmo.

A busca do clown é a busca do próprio ridículo.
Expressar-se sendo tu mesmo, sendo natural, é fantástico. Porém, tens que manter a naturalidade desde um estado de energia alta. Se o fazes com uma energia comum, poderias estar comprando no mercado... Qual é a graça? Não serás diferente, porém maior que a imagem que tens de ti mesmo. Ser clown é surpreender a atenção das pessoas... e roubar-lhes o coração.

Converte tuas debilidades pessoais em FORÇA TEATRAL.
Ser clown é a máxima liberdade, a liberdade de arriscar-se...

Não te defendas.
Se um clown baixa as calças de outro, este não o impedirá, observará como lhe baixam as calças com ingenuidade, até que se dê conta de que está em evidência diante do público. Logo pode vingar-se, porém não se defende, deixa que as coisas aconteçam.

Encontra prazer em tudo o que fazes.
Se tu não desfrutas, ninguém o fará. Não podes comunicar prazer a menos que o sintas. O clown joga alto pois nada tem a perder, e portanto é... LIVRE!!! É este o prazer com o qual o público se conecta. Se estás incômodo, distraído ou aborrecido em cena, o público nota e se afasta de ti.

Observa o público.
O público é o espetáculo que diverte e emociona o palhaço. O palhaço não age, reage às ações e às emoções do público. A inspiração, o roteiro, o texto, o momento de encerrar, tudo vem do público.

O CLOWN É...

Ingênuo, tolo. Porém não infantil!

Entusiasta. Emociona-se com qualquer coisa que lhe proponham e está sempre entusiasmado de ter um público com quem compartilhar.

Inocente e vulnerável. Permite-se fazer qualquer coisa porque é inocente e não espera que lhe façam algo mau. Não se defende (porém depois pode vingar-se). Mostra-nos sua vulnerabilidade e é isto que o torna mais humano ou que mais nos toca.

Torpe e estúpido. Sempre se equivoca ou mete os pés pelas mãos. Faz as coisas ao contrário, por exemplo, se há um piano e a cadeira está longe, não moverá a cadeira até o piano, moverá o piano até a cadeira.

Curioso como uma criança ante tudo o que lhe acontece ou encontra.

Sonhador e realista ao mesmo tempo.

Claro em tudo o que faz. Até a última pessoa da sala, ou a mais estúpida, há de entender sua intenção e seus atos.

Honesto. Crê no que faz. Está nu ante o público, mostrando-se tal como é.

Sê tu mesmo o mais profundamente possível e ganharás o coração do público.

O CLOWN ESTARÁ...

Relaxado e confortável em cena.

Em comunicação com o público. Ouvindo. A quarta parede está atrás do público.

Atento ao que ocorre ao seu redor, aproveitando qualquer coisa imprevista que aconteça para incorporá-la ao seu mundo.

Disponível.

O CLOWN...

Quer ser amado.

Quer ser como os demais (como um menino que quer ser adulto).

Entra em contato direto e imediato com o público e seu jogo é influenciado por estas reações.

Olha e vê o público. Compartilha com o público... tudo o que faz, tudo o que lhe acontece.

Escuta a risada (ou sua ausência).

Expressa suas emoções ao máximo (e pode passar de uma a outra em um instante).

Tem emoção e/ou intenção em tudo o que faz.

É mais visual que textual.

VIVE NO FRACASSO
— fracasso da pretensão: o clown realiza um número lamentável que ele crê genial. Anuncia a proeza do século e é apenas uma pirueta ou um malabarismo de três bolas. O público rirá dele.
— fracasso acidental: o clown não consegue fazer o que quer (um equilíbrio que não se consegue, um tombo depois de um simples salto, etc).

Reconhece seus fracassos. Quando um clown fracassa, quer dizer... faz algo e não provoca risos (quando é isto o que pretendia), em geral conseguirá uma risada se reconhecer seu fracasso. A forma de reconhecer este fracasso variará em função do clown.

Aproveita seus êxitos. Se faz algo que funciona (provoca risos), é um ás na manga que pode utilizar em outro momento em que algo não funcione para conseguir novamente uma risada. Pensa simples. Atua com o coração e não com a cabeça. Em realidade não pensa, faz! É!

Leva as coisas ao extremo. Qualquer coisa pode ser levada até extremos inverossímeis. E é nestes extremos onde quase com toda certeza conseguirá fazer rir ao público.

Tem problemas, porque é estúpido, torpe e ainda tem uma boca grande. Não busca problemas, encontra-os. Dirá que sim a qualquer coisa para permanecer em cena, ainda que provavelmente vá se meter em confusão. Por exemplo, se lhe perguntam se fala russo, dirá — “claro, fui professor de russo durante 25 anos”, e na realidade não tem nem idéia. Então lhe dão um texto para que traduza. E já se meteu em um problema.

Pode levar séculos para fazer algo (ou inclusive não chegar a fazê-lo nunca), porque se distrai com qualquer coisa, por mais insignificante que seja.

Chega ao palco com energia de ganhador, mesmo que seu personagem seja um perdedor (em tal caso, sairá com a energia do maior perdedor da história).

Em geral, tem um tempo mais lento que o de uma pessoa normal. Quer dizer... ao clown acontece algo que o coloca em evidência diante do público, como exemplo, chega com uma maleta que se abre e cai tudo que estava dentro. Uma pessoa normal reagiria imediatamente, recolhendo tudo e tratando de passar despercebido, o clown não. Ou seja, a maleta se abre e cai tudo o que há em seu interior: olha tudo no chão, (pausa 1... 2... 3... para assimilar o que aconteceu), olha o público (pausa 1... 2... 3... para mostrar sua vulnerabilidade, quer dizer... para que o público veja que se sente em evidência — “putz, caiu tudo e ainda por cima me viram”), recolhe tudo e volta a olhar para o público (pausa 1... 2... 3... como quem diz — “aqui nada aconteceu”). Essa pausa (esse tempo 1... 2... 3...) é o tempo que o clown necessita para assimilar o que lhe aconteceu e para mostrar ao público como se sente, e é também o tempo que o público necessita para “ler” o que está acontecendo ao clown.

Arrisca-se. Se algo não funciona, quer dizer, não faz o público rir, levará até o extremo o que faz ou buscará novas vias de fazer ou dizer o mesmo, ou fará algo totalmente diferente.

Resumindo...

Não atue, seja real. Quanto mais natural fores, quanto mais honesto, mais perto estarás de teu clown. Porém recorda... energia alta!!!

Olhe e veja o público, escute-o e compartilhe tudo com ele.

Seja ingênuo e estúpido, porém não infantil.

Mostra tua vulnerabilidade.

Tenha sempre uma emoção e/ou uma intenção. E não ilustres as emoções, expresse-as com teu olhar, com teu corpo!

Reconhece teus fracassos e aproveita teus êxitos.

Faz rir com o que és, com como fazes as coisas. É mais importante o como que o quê. Quer dizer... é mais interessante conseguir o riso com como fazes algo que com o que fazes em si mesmo (bom... também, mas o primeiro é mais importante).

Não busque o riso, encontre-o.

Material produzido por Alex Navarro & Caroline Dream, traduzido do espanhol e ilustrado pelo Maestro Cantai especialmente para o MUNDOCLOWN. As fotos são de Alex Navarro.

*UM POUCO DA HISTÓRIA*

Os palhaços são conhecidos a aproximadamente quatro mil anos mas, a verdade, é que desde sempre, e através dos tempos, inúmeras pessoas dedicaram-se à arte de fazer rir.

Oriente.

Nas cortes dos imperadores chineses os palhaços adquiriram importante papel, podendo inclusive fazer com que o imperador muda-se de idéia em suas decisões. Por mais de mil anos, em várias partes do Oriente (como Malásia, Burma e o Sudeste da Ásia) os palhaços apareciam em teatros, mesmo em representações religiosas; eram conhecidos como “Lubyet” (homens frívolos), e atuavam como desastrosos assistentes dos personagens príncipes e princesas.

Na Malásia se chamavam “P'rang” e usavam horrendas máscaras de bochechas e sobrancelhas enormes, cores carregadas e um grande turbante, criando uma figura pavorosa.

Alguns dos melhores palhaços asiáticos vêm de Bali; os personagens mais populares e que ainda se pode ver são os irmãos Penasar e Kartala. O primeiro aparece sempre preocupado e angustiado, e nunca deixa de comportar-se bem; o segundo não faz nada do jeito certo, senão tudo ao contrário.

Grécia e Roma.

Na antiga Grécia, há mais de 2.000 anos, os palhaços faziam parte das comédias teatrais. Após a apresentação de tragédias sérias, eles davam sua própria versão do fato, onde os heróis apareciam como idiotas. Seu alvo preferido era Hércules, mostrando que suas façanhas aconteciam mais pelo acaso do que intencionalmente.

Também na antiga Roma existiam diversas classes de palhaços; dois deles eram Cicirro, que se caracterizava com uma máscara de cabeça de galo e cacarejava movendo os braços como asas, e Estúpido, com gorro pontiagudo e roupa de retalhos. Os outros atores aparentavam estar enojados e batiam nos dois palhaços causando ainda mais riso entre o público.

Idade Média.

Já no início da Idade Média, com os teatros fechados, artistas perambulavam por toda parte para atuar onde pudessem, para sobreviver, participando de feiras em várias regiões. Na Alemanha e na Escandinávia eram conhecidos como “gleemen”, e na França, “jongleurs”. Contavam contos, cantavam baladas, eram músicos, malabaristas, acrobatas e toda sorte de artistas. Em épocas mais festivas, grupos de mímicos apresentavam danças e comédias nessas feiras. Nesses grupos , depois dos bailarinos, os personagens mais importantes eram os palhaços, que levavam uma bola atada por um barbante, com o qual iam batendo nos espectadores, a fim de abrir espaço para a atuação dos mímicos. Com frequência levava uma vassoura para varrer as pessoas do local gritando: "Espaço! Espaço! Preciso de espaço para recitar minhas trovas!". As palhaçadas eram, nessa época, mais importantes do que a própria história que se apresentava.

Foi também na Idade Média que surgiu a figura do bufão, ou “bobo da corte”; alguns eram realmente “bobos”, mas a maior parte era formada por palhaços inteligentes que se faziam de estúpidos para alegrar às pessoas.

Na Alemanha, eram chamados de “alegres conselheiros” pois, em suas agudas observações, incluíam bons conselhos.

Ainda durante a Idade Média os palhaços atuaram nos teatros pouco a pouco “re-abertos”, principalmente em comédias religiosas, representando o “diabo”, os “vícios”, a estupidez e o mal. Muitas vezes o narrador era um palhaço que mantinha a platéia entretida, atenta, e explicava melhor a história. Cada vez mais o papel do palhaço foi se tornando mais importante, ressaltando os contrastes, até que William Shakespeare mostrou que o palhaço podia não só fazer rir, como fazer chorar, e tornar ainda mais dramáticas as cenas trágicas de uma obra, os palhaços passaram a ser tão importantes, nessas representações, quanto os atores sérios de grandes clássicos do teatro.

Commedia dell'Arte.

No século XVI, na Itália, surge a “Comédia de Arte”, com companhias e personagens que se tornaram muito populares.

Cada um vinha de uma região diferente da Itália e tinham características marcantes que os tornavam facilmente reconhecíveis. É o caso do Arlequim, com sua roupa de retalhos; o Pantaleão, veneziano, e de vermelho; Briguela, de branco e verde; Polichinelo, de branco e gorro pontiagudo; o Doutor, de negro e o Capitão, com sotaque espanhol e roupas militares. Esses personagens tinham características muito definidas e seus papéis eram quase sempre os mesmos e se tornaram tão famosos que os atores eram mais conhecidos pelos personagens que interpretavam do que por seus próprios nomes.

Da Itália, a Commedia del'Arte se estendeu por toda a Europa, adaptando-se a cada país, como na Inglaterra, onde, por exemplo, Pulcinella se tornou Mister Punch, personagem conhecido até os dias atuais, ou o Pierrot, transformado em “clown”, sendo que o mais famoso foi Grimaldi, nascido em 1778.


Os primeiros circos.

O circo moderno parece ter surgido a partir de 1766, criado por um jovem sargento, chamado Philip Astley. Primeiro, com atrações equestres e, logo, enriquecendo as performances com artistas mambembes e atrações mais divertidas para mesclar com as exibições de equitação. O palhaço mais importante foi “Mr. Merryman”, que atuava a cavalo.

Com o tempo mais atrações foram sendo incluídas, surge o palhaço “branco”, ou “clown”, vestido ricamente com lantejoulas e gorro pontiagudo, cara branca e pouca maquiagem; o “augusto”, tonto, desajeitado e extravagante; o “toni” e o “excêntrico”, colaborando para que a gargalhada corresse solta.

Vários números de palhaços, conhecidos como “entradas”, se tornaram clássicos, como “O Espelho Quebrado”, “Hamlet”, “A Água”, “A Estátua”, “O Barbeiro de Sevilha”, etc, e podem ser vistos ainda hoje em grandes circos. Outa maneira do palhaço participar dos espetáculos circenses é através das “reprises”, pequenas cenas de palhaços que acontecem enquanto se prepara a parafernália de um novo número (como preparar as jaulas, o trapézio, etc.). No início do século XIX outra participação importante dos palhaços se dava na segunda metade do espetáculo, quando estes apresentavam uma “pantomima” cômica, um pequeno espetáculo de cunho teatral, dentro do espetáculo circense, muitas vezes baseado em clássicos da dramaturgia e da literatura mundial.

O palhaço era, até pouco tempo, o principal personagem de um circo, sendo uma honra ocupar esse papel. Geralmente, os palhaços são habilidosos em alguma arte, muitos são grandes acrobatas, músicos, malabaristas, domadores, bailarinos, piadistas, cantores, etc.

Hoje em dia os palhaços ocupam espaço não só nos circos, estão presentes nas ruas, nos teatros, na televisão, no cinema, em vários e infinitos espaços e, se um dia, descobrirmos vida em outros planetas, descobriremos, também, novas formas de fazer rir, pois, dentro do mais íntimo de todos os mundos, existe, reluzindo o riso, o Mundo do Nariz Vermelho.

*BREVE CURSO de CLOWNS*

I. Definições breves

Branco: Também chamado Carabranca, Pierrot, Enfarinhado e Esperto ou Sério, no Brasil, Escada. Nascido na Inglaterra em meados do século XVIII (Giuseppe y Joe Grimaldi), costumava aparecer maquiado de branco e enfunado num elegante vestido brilhante. De aparência fria e lunar, representa a lei, a ordem, o mundo adulto, a repressão — características que não fazem senão realizar o protagonismo do Augusto. Grandes clowns brancos: Footit, Antonet, François Fratellini, Pipo Sosman, René Revel, Alberto Vitali. Etimologia:do latim colonus, destripa-terrones, passando pelo inglês clod e clown.

Augusto: também chamado Tonto, no Brasil, Toni ou Tony. É extravagante, absurdo, pícaro, mentiroso, surpreendente, provocador. Representa a liberdade e a anarquia, o mundo infantil. Vestido de qualquer maneira, tem um característico nariz vermelho postiço e grandes sapatos. O augusto se diversifica em múltiplas categorias, algumas das quais se indicam a seguir. Diversas lendas coincidem a fazer nascer o personagem no Circo Renz de Berlim (1865), encarnado por um tal August, um moço de jeito enfadonho e beberrão — de onde vem o nariz vermelho. Grandes augustos: Chocolat, Beby, Albert Fartellini, Porto, Rhum, Bario, Achille Zavatta, Charlie Rivel, Pio Nock, Carlo Colombaioni.

Segundo Augusto: também chamado Contraugusto e Trombo. Terceiro elemento de um trio de palhaços, que amplia as gags do primeiro Augusto. Muitas vezes é musical.

Excêntrico: evolução do personagem do Augusto, contraposto a este pela dignidade de sua sabedoria e pela inteligência que demonstra ao enfrentar as dificuldades que muitas vezes resolve com uma genialidade surpreendente. Apresenta-se sempre só e normalmente não fala. Como oponentes dramáticos substitutivos do clown, usa instrumentos musicais e outros objetos. Excêntricos famosos: Little Tich, Don Saunders, o último Grock, o último Charlie Rivel, Avner, Tortell Poltrona, Howard Buten "Buffo".

Vagabundo ou Tramp: tipo de augusto solitário, habitualmente silencioso e com pinceladas de marginalizado social. Os expoentes maiores desta especialidade são Clarlot no cinema e, na arena do circo, Joe Jackson, Otto Griebling e Emmet Kelly.

Palhaço de sarau: especialidade de palhaço (normalmente augusto) que atua nas entradas de barragem. É um descendente evoluído dos primeiros augustos, os quais, antes de formar parcerias com os clowns, se ocupavam de entreter o público para preencher o vazio entre os números de circo (montagem e desmontagem da gávea, instalação e retirada de aparatos, etc). São exemplos destacados: Tom Belling, Pinoccio, Popov, e a dupla Sosman y Gougou.

Mimo-clown: clown mímico, variedade de clown terno, habitualmente mudo. Apresenta-se só e, tendo os objetos como oponentes, demonstra uma grande quantidade de habilidades físicas ou musicais. Neste sentido, suas concepções de dramaturgia são paralelas às do augusto excêntrico. Em geral, o personagem lembra o Pierrot da Comédia Del’arte e é de natureza frágil e delicadamente poético. Expoentes estelares desta especialidade: Dimitri, Pic, Pierino.

Messié Loyal: diretor e apresentador de picadeiro, do qual é autoridade inapelável. É o companheiro mais luxuoso que pode ter uma trupe de palhaços. Loyals destacados através dos tempos: os franceses Sacha Houcke, o domador, Drena y Sergio. Atualmente, na Espanha, destaca-se Popey (filho de José Carrasco Popey) e, na Cataluña, o Dr. Soler. Etimologia: o apelativo vem de uma dinastia circense de inícios do século XIX (Théodore y Léopold Loyal foram os primeiros diretores e chefes de picadeiro da história do circo).

Bufão: Personagem cômica próxima do fanfarrão, do louco, do parvo e do truão, e que se destaca pela indecência e pelo comportamento desregrado. Este comportamento pode ser o exato reflexo da natureza truanesca do bufão ou pode ser pura dissimulação. Partilha com as personagens mais universais do bobo e do louco as deformações físicas que resultam no cômico de caráter. Também pode partilhar com o palhaço e o truão a maquiagem para se apresentar em palco e representar o papel de fanfarrão e bravateador. No teatro de Shakespeare, encontramos alguns bufões que ficaram célebres: Touchstone (As You Like It), Feste (Twelfth Night) e o louco de King Lear. (Texto de Carlos Ceia)

II. Definições ampliadas

Augusto (o palhaço de nariz vermelho)

Personagem: é o mais engraçado de todos os palhaços. Ele/ela é travesso, sociável e generoso nas palhaçadas. Suas ações são importantes, torpes, desajeitadas, deselegantes e inoportunas. Este palhaço não tem muito em comum com o Cara Branca, exceto a maquiagem e a roupa. Sua personalidade é a de um alvoroçador. Quando aparece com o Cara Branca, o Augusto (em alemão significa “tonto”), é o alvo das brincadeiras. Todavia, com o palhaço Tramp, converte-se num incitador com o controle da situação..

Maquiagem: o Augusto tem a maquiagem altamente colorida com uma cor base no tom da pele (rosa, marrom claro, avermelhado) no rosto e no colo. Os olhos e a zona em torno da boca são normalmente cobertos de branco para produzir uma expressão de olhos grandes e para acentuar o desenho da boca. Os desenhos nos olhos e bocas, e ao redor, são geralmente pretos e vermelhos, porém são aceitáveis, com moderação, outras cores de recobrimento. Este palhaço vestirá normalmente um grande nariz cômico, apropriado ao tamanho do rosto. O Augusto sempre usará peruca, porém pode escolher entre uma grande variedade de estilos e cores para acentuar a roupa e o tom de pele.

Vestuário: o Augusto tem a maior variedade de desenhos de roupas para escolher, exceto que não usará o tradicional traje-jersey ou macacão do Cara Branca. O Augusto poderia usar uma jaqueta ou casaco curto, normal ou largo, com ou sem cauda, ou uma seleção de quadrados coloridos, riscos, estampas, assim como cores lisas. Normalmente chamado “o pesadelo do alfaiate”, o traje tem cores e padrões que vão complementar a aparência geral do palhaço, sejam ou não cores combinadas. Os tecidos teatrais ou as lantejoulas não são apropriados nos trajes de Augusto. Este palhaço é normalmente um notório brincalhão (de má fama) e pode necessitar um montão de bolsos para levar truques e brincadeiras. O traje pode ser complementado com acessórios extravagantes, como gravatas grandes ou pequenas, suspensórios e sapatos cômicos de muitos estilos e cores. Dentre muitas possibilidades, chapéus, bonés, cartolas e perucas, de variadas cores mas sempre brilhantes, realçarão o caráter do Augusto, assim como luvas brancas ou coloridas. A roupa da palhaça Augusta não varia muito da que usa a palhaça Cara Branca, quanto ao estilo, porém permanece a tradição da combinação de cores, brilhos, berloques e cintas. Mesmo usando tecidos de algodão, o aspecto será sempre elegante e belo. A palhaça Augusta pode usar cores que não combinam e estar totalmente desconjuntada, porém pode também preferir ser uma palhaça bela. Isto é aceitável. Todavia, o Augusto nunca deve usar lantejoulas e brilhos ou sedas e tecidos teatrais. Estes pertencem exclusivamente às belezas do Cara Branca. A Augusta pode escolher ser incompetente, gaguejante ou ter uma personalidade cômica, mais ou menos como o palhaço Augusto.

Mais sobre o Augusto, de uma outra fonte: o Augusto é o palhaço por excelência; é o brincalhão, agitador. É o mais cômico de todos os palhaços; suas ações são mais selvagens, mais diretas que as dos outros tipos. O Augusto se conduz com mais e melhores brincadeiras, quando aparece com um Cara Branca, ele é o alvo das piadas. Normalmente usa um nariz de bola, porém há muitas exceções. Quase sempre usa peruca — geralmente vermelha, amarela ou laranja. A peruca pode ser completa ou só para a calva (da cor da sua pele) com uma franja dos lados e na nuca. O cabelo pode ser liso ou ondulado. Seu chapéu pode ser muito pequeno, às vezes se assenta sobre a careca. Às vezes usa bonés ou gorros. O Augusto original vestia uma roupa na qual escondia brincadeiras contra outros palhaços que, muitas vezes, se voltavam contra ele. O traje tinha calças folgadas para facilitar cambalhotas e acrobacias, camisa muito grande ou muito pequena. Cada peça de roupa (calça, camisa, casaco, gravata e chapéu) tinha um desenho diferente, isto é, riscos e franjas verticais, horizontais, diagonais, quadrados escoceses, etc. As cores de cada peça eram vivas e se chocavam o máximo possível com as das demais peças. Cada parte do traje estava mal ajustado em tamanho, ou muito largas ou muito pequenas. Nos últimos anos (especialmente em competição) o traje do Augusto se vai tornando mais parecido com o do Cara Branca grotesco. Ainda que vários elementos de sua roupa possam ainda não ser sob medida, seus trajes estão mais ajustados e coordenados, às vezes muito elaborados. Contudo parece mais uma peça de espetáculo que um palhaço tonto.


Clowns de Cara Branca

Há três tipos de clowns de cara branca, o Clássico Europeu, o Engomado e o Grotesco. Os clowns Cara Branca são os que estão no comando e representam o poder ou a autoridade.

Carabranca (Clássico) Europeu: muitas vezes chamado de Pierrot. Um clown elegante, artístico, colorido, inteligente e alegre. Sua atuação é supremamente artística e com muitas habilidades, porém com um estilo cômico dramático.

Maquiagem: toda a pele que vemos está coberta de maquiagem branca. Mínimos perfis de cor ou de purpurina são utilizados para exagerar as características dos olhos, nariz e boca. Pode usar um gorro grudado à cabeça em vez de uma peruca colorida. O Carabranca Europeu geralmente não leva nariz cômico, nem pestanas falsas nem orelhas grandes.

Vestuário: considerado o palhaço mais belo de todos os clowns, veste-se com o tradicional macacão ou conjunto de duas peças integradas, branco ou de um tecido de cor que encaixa com o clássico personagem do Pierrot. Os estilos podem variar, porém, em geral, são folgados e feitos sob medida e podem ter um colarinho destacável. A túnica ou camisa é curta, média ou longa e com mangas largas e compridas, retas e bem acabadas. Os botões ou pompons e a gola frisada têm contraste de cores. Calças retas ou não. O chapéu do palhaço deve combinar com seu personagem, pode ser cônico (comprido ou curto), plano ou achatado, ou o típico chapéu de "Pagliacci". As luvas são brancas ou contrastantes e lhe cobrem as mãos e os punhos. Os sapatos são de ballet ou baile, brilhantes e de bico fino.

Carabranca "Engomado": é o aristocrata dos clowns. Assim como o Europeu, é um clown elegante, artístico, colorido, inteligente e alegre. Quando atua com outros palhaços ele é o chefe. Atua muito artística e habilidosamente, com estilo cômico e dramático. Quando atua com o Augusto ou com o Vagabundo, é ele quem manda, organizando as rotinas, dando mais do que recebendo tortaços, pontapés e pratos de nata na cara. É mais engraçado que o Carabranca Europeu, porém mais reservado que o Augusto.

Maquiagem: toda a pele que vemos está coberta de maquiagem branca. Mínimos perfis de cor ou de purpurina são utilizados para exagerar as características dos olhos, nariz e boca. Usa diferentes estilos e cores de perucas.

Vestuário: o traje é feito sob medida. Usa tecidos teatrais (brilhantes, com pérolas, etc), acetinados com lantejoulas e falsos brilhantes. O traje mais comum do Cara Branca Engomado é o macacão de jersey com ombreiras. Todavia, uma roupa de duas peças ou estilo smoking é aceitável também. O traje, acessórios incluídos, deve ser de cores que combinem. Os sapatos podem ser grandes ou pequenos, porem simples. Cartola e luvas.

(Comedia) Cara Branca Grotesco: se o Cara Branca Engomado é o palhaço mais tradicional, o Cara Branca Grotesco, também conhecido como o Cara Branca Cômico, é hoje em dia o palhaço Cara Branca mais comum. Ele é um pouco menos artístico e um pouco mais parecido em espírito com o Augusto. Quando atua junto ao Augusto ou ao Vagabundo este palhaço manter-se-á no poder, estabelecendo a rotina, lançando a torta em vez de receber, esbofeteando ou dando pontapés. Ainda que mais engraçado que o Engomado, este personagem é um pouco mais reservado que o travesso e fraterno Augusto.

Maquiagem: assim como no Engomado, toda a pele visível do rosto, colo e orelhas estão cobertos de maquiagem branca. O colorido e o desenho das feições do rosto é que o diferenciam do desenho clássico. Enquanto o desenho do Engomado se mantém propositalmente simples, o desenho do rosto do Grotesco pode incluir longas pestanas falsas, uma boca mais rasgada, nariz de palhaço e outros elementos. O nariz\ pode ser muito grande ou muito pequeno. Alguns destes elementos podem ser pretos, também são comuns os brilhos e resplendores. Usa-se peruca de estilos e cores variadas em lugar da cartola. A cor da peruca pode combinar com algum detalhe da roupa.

Vestuário: pode-se usar o traje tradicional, mas o Cara Branca Grotesco também pode usar calças e camisas brilhantes, metálicas, trajes e sapatos cômicos. As roupas são mais luxuosas e melhor combinadas que as do Augusto. Seu estômago pode sobressair. Luvas brancas ou coloridas. A palhaça cara Branca Grotesca é semelhante à Augusta; persiste a tradição quanto à coordenação de cores, o aspecto geral será elegante e belo.

Tramp/Vagabundo/Sem-teto

Personagem: há algumas variações neste tipo. O clássico vagabundo representado por Emmet Kelly e Otto Griebling no circo da fama é o triste, oprimido e abandonado personagem que não tem nada e sabe que nunca terá nada. Por natureza, será um solitário, o que se reflete em sua determinação em estar em silêncio, sem falar com ninguém, exceto com seus semelhantes. Suas formas de expressar-se e seus movimentos pesados, arrastando os pés, refletem sua vida dura. O vagabundo, elegante ou feliz homem de negócios, colegial ou playboy que, farto de sua vida, sai da sociedade pela paixão de viajar. Ele é o rei da estrada, feliz com o que tem e não espera mais. Seu caráter pode tomar algumas das características do Augusto. Este tipo foi descrito por Red Skelton em seu personagem “Freddie the Freeloader”. Considerado o único palhaço americano verdadeiro, alguns acreditam que este personagem se desenvolveu na depressão dos anos 30, quando as pessoas viajavam de trem buscando emprego. Outras referências históricas indicam que a maquiagem do vagabundo volta aos espetáculos de variedades e trovadores dos anos 1800 e princípios de 1900. Independente do tipo Tramp/Vagabundo, ele é o alvo das brincadeiras e será quem recebe a torta, a bofetada, o pontapé do Cara Branca ou do Augusto. A “Bag Lady” ou a Velha do Saco, ou a Mulher da Mala, é a versão feminina do Vagabundo.

Maquiagem: a maquiagem representa a fuligem depositada na cara, procedente dos trens a carvão, referência aos criadores do personagem. As áreas da boca e dos olhos se limpam da fuligem para que possam ver e comer. O branco se usa nos olhos e na boca para exagerar este processo de limpeza. O alto do rosto é uma mistura de tons de cores da pele. A linha da barba é negra ou estará sombreada de cinza escuro, para parecer barba e fuligem. Usa-se um nariz vermelho. Um pequeno sombreado vermelho nas bochechas e na testa pode ajudar a criar o aspecto de queimado de sol. A diferença entre os dois tipos de personagem se mostra comumente mediante a forma das sobrancelhas e da boca, ambas acima ou abaixo para mostrar alegria ou tristeza.

Vestuário: normalmente para o palhaço masculino um traje escuro, terno, fraque ou somente uma camisa e calças feitos para parecerem velhos e usados. Para a Bag Lady, um velho e desgastado vestido ou casacão. estes podem estar abundantemente remendados com trapos e outros materiais, costurados com pontos desiguais ou mal-costurados. Um chapéu escuro e maltratado, sapatos e meias esfarrapados, camisas e gravatas desgastadas exageram o personagem. As luvas são geralmente velhas e furadas. Para manter o estado de desempregado do vagabundo, este personagem não costuma usar relógios, anéis e cinturões, meias ou sapatos novos.

Mais sobre o vagabundo de outra fonte:
o personagem Tramp/Hobo ou Vagabundo/Sem-Teto é o único palhaço realmente Norte Americano. Este personagem nasceu dos vagabundos que viajavam nos trens de carga ao longo do país buscando trabalho. Ainda que o Vagabundo e o Sem-Teto sejam considerados em uma única categoria, cada um é único. As principais diferenças entre estas subcategorias residem nas áreas de atitudes e roupas.

1. O Vagabundo acredita que o mundo lhe deve a vida, que sua condição é culpa dos outros. Quer (e espera) que todos sintam pena dele. Faz todo o possível para evitar o trabalho. Este cabeludo vagabundo é o indivíduo para quem nada vai bem. Sua cara e pescoço são escurecidos para que pareçam sujos e barbudos. Acrescenta-se vermelho à linha da barba para que a cara pareça queimada pelo sol e a boca e os olhos são brancos onde o vagabundo teria limpado a fuligem com as mãos. As sobrancelhas devem ser pequenas e com um aspecto preocupado. Pode ter uma gota de glicerina ou material similar para aparentar que tem uma lágrima correndo por sua bochecha. sua expressão é, geralmente, triste ou lacrimosa. Muitas vezes os vagabundos usam seu próprio cabelo revolvido para parecer desgrenhado. Se usar peruca, deve ser negra ou de tons mais pálidos. O Vagabundo anda desarrumado, porém limpo. sua roupa é, geralmente, um traje de duas ou três peças extremamente gastas e esfarrapadas. Os rasgões podem ser deixados abertos, ou mal remendados com farrapos e grandes retalhos. A cor é negra ou escura, pode ser marrom ou cinza. A camisa, se houver, pode ser escura ou discordante, qualquer cor que não seja o branco, muito usada, esburacada, puída, com mangas largas, ou uma camisa de trabalho desgastada. A gravata não deve ser espalhafatosa, deveria ser uma norma que esteja amarfanhada. Pode-se usar uma corda como cinturão ou suspensório.

2. O Sem-Teto quer ser um sem-teto. Ele pode estar triste, porém certamente não tem onde cair morto. Muitas vezes parece ser feliz. Um Hobo normalmente não pedirá uma esmola, preferindo trabalhar por ela. Terá um trabalho, porém não por muito tempo porque quer mudar para outro lugar. Seu rosto se maquia como o do vagabundo, exceto na expressão. Tende a rir e seus olhos são maiores, mais despertos, abertos e felizes que os olhos do Vagabundo. A roupa também é semelhante, mas pode ter cores mais vivas em várias partes. Sua camisa pode ser de uma cor brilhante, como muitos de seus remendos. Sapatos gastos gomo os do Vagabundo. A categoria Tramp/Hobo ou vagabundo/Sem-Teto é a única em que se permite o uso de qualquer tipo de luvas. Todavia, se usar luvas devem parecer sujas, manchadas, furadas. O efeito global da maquiagem, vestimenta e atuação deve complementar o personagem representado. 3. Palhaços famosos do tipo Vagabundo/Sem-Teto são, entre outros: Emmett Kelly, Sr. Red Skelton e Otto Griebling.

Bufão – o bobo da corte

Bufões eram os "funcionários" da monarquia, contratados para fazer reis e rainhas rirem. Podiam criticar o Rei sem correr riscos. O bobo teve origem no império romano-bizantino. No fim das cruzadas tornou-se figura comum nas cortes européias. O desaparecimento ocorreu durante o século XVII. Existem sinônimos: jogral, bufão, truão, curinga, palhaço, pierrot, ou, simplesmente, bobo. Vestiam uniformes espalhafatosos, com muita cor e chapéus bizarros com sinos e guizos amarrados. O bobo da corte divertia o Rei e a corte. Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e era o cerimoniário das festas. De maneira geral era inteligente, atrevido e sagaz. Dizia o que o povo gostaria de dizer ao Rei. Com ironia mostrava as duas faces da realidade, revelando as discordâncias íntimas e expondo as ambições do Rei. Muitas vezes se tratava de um deficiente físico (aleijado, corcunda), e em algumas se tratava de um anão. Houve na História casos de bobos da corte que se envolveram com integrantes da família real. E até um caso que acabou em tragédia, no século XVI na Espanha, quando o bobo da corte foi assassinado depois de se envolver com a princesa. Entre os antigos, para divertimento da classe mais abastada e poderosa, esses indivíduos pitorescos eram tão procurados que foi necessário instituir um mercado especial para esse gênero de negócios, um mercado de bobos. Na hora das refeições, apos as dançarinas, os macacos incríveis e os tocadores de harpa, o "bobo", vindo da Ásia Menor ou da Pérsia, fazia sua entrada ridícula, saudado pelo riso dos convivas. Na Idade Média, não havia um só castelo em que a silhueta caricatural do bobo não surgisse entre as rendas e os brocados. As cortes reais e as cortes feudais lutavam pela posse do bobo mais feio, mais deformado e emissários eram enviados aos quatro cantos do mundo conhecido em busca desses fenômenos humanos, para distração dos poderosos. Bobos célebres: "Dom Bibas" da corte do conde Dom Henrique, do final do séc.XI; Mitton e Thévenin de Saint Leger na corte de Carlos V; Triboulet, o mais famoso, das cortes de Luís XII e Francisco I, conhecido como o Bobo do Rei e o Rei dos Bobos. Na Inglaterra em 1597, Shakespeare criou John Falstaff, o bufão do príncipe Harry, filho do Rei Henry III. Nas cortes espanholas, os bufões eram honrados e muito influentes. O Rei Felipe II andava acompanhado por vários bufões. O pintor Antônio Moro pintou "Pejeron", truão favorito do conde de Benavente. Cristóbal de Pernia era o bobo mais afamado no tempo do rei Felipe IV. Em época aproximada, em torno de 1630, Velásquez pintou com perfeição o "Bufão Calabazas".

Clown de personagem

Um clown de personagem é o que identificamos com uma profissão (bombeiro, marinheiro, médico, vaqueiro, polícia, menino, personagem de um conto, etc...) Segundo os puristas não se deveria considerar clown de personagem a personagens como Charlie Chaplin, Buster Keaton, Laurel e Hardy, etc, ainda que sugundo o autor deste texto o sejam. Também segundo os puristas versões de personagens de desenhos animados, cães, gatos, etc, não deveriam ser considerados clowns. Não existem normas quanto ao vestuário desta categoria.

*Material extraído do site CLOWNPLANEThttp://www.clownplanet.com ) traduzido do espanhol e ilustrado pelo Maestro Cantai especialmente para o MUNDOCLOWN )..

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

*A BÍBLIA PRECONIZA O VEGETARIANISMO*

Sejam judeus, rastafaris, cristãos ou muçulmanos, a fonte de nossa inspiração espiritual é a Bíblia. 
Mesmo os muçulmanos ou rastafaris, que adotam outro livro como sagrado, reconhecem a Bíblia como cânone. Ateus e agnósticos, embora não creiam diretamente em textos sagrados, são influenciados por estes visto que estão inseridos em sociedades que foram moldadas utilizando-os como inspiração. Vivemos em sociedades laicas, mas a espiritualidade, ainda que não praticada, influencia o pensamento e, em parte, o comportamento.
A costumeira justificativa espiritual para o especismo é baseada numa breve passagem bíblica que explicaria nossa natureza semi-divina e nosso direito sobre as demais espécies. Em Gênesis 1:26, está escrito: Também disse Deus: ”façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.”
No entanto, a Bíblia é um livro complexo e permite múltiplas interpretações (principalmente por fundamentalistas mal intencionados), além de versões e traduções.
Se verificarmos o original em hebraico, veremos que o que tem sido traduzido como “ter domínio” é a palavra “yirdu”. “Yirdu” poderia ser melhor traduzido como “descerão”. Fosse a intenção do autor do original hebraico de fato transmitir a idéia de domínio na criação, a palavra que deveria ser empregada seria “shalthanhon”. Nem mesmo a idéia de governo benévolo do homem sobre as demais criaturas é passada neste versículo, visto que a palavra que a Bíblia usa quando se refere ao domínio pacífico é “mashel”.
Porém, o que vemos é que foi empregada a palavra "yirdu", que permite uma outra tradução do versículo: Na verdade, Disse Deus: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança; e descerão para os peixes do mar, e para as aves dos céus, para os rebanhos e para toda a terra e para todo réptil que rasteja sobre a terra”. Se seguirmos essa tradução, que é mais fiel ao original, podemos interpretar que a intenção da Bíblia pode ter sido mostrar que Deus criou o homem de uma maneira especial, mas que o homem desceria (ou seja, seria igualado) para a condição de um animal.
Mesmo a continuação do livro parece apoiar esta idéia. Em Gênesis 1:28, costumamos ver o versículo traduzido desta forma: “E Deus os abençoou e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” Novamente, a palavra desça aparece traduzida como domine. O que aparece nesse versículo como “sujeitai-a” é a palavra “kibshah”, que significa preservar. Fosse de fato a intenção do autor transmitir a idéia de “sujeitar” ele teria empregado a palavra “hichriach”.
A tradução literal deste versículo seria: “E abençoou-os Deus e lhes disse Deus: fecundem-se, tornem-se muitos, encham a terra e preservem-na; e desçam para (a condição dos) peixes do mar, e para as aves dos céus e para todo animal que rasteja sobre a terra”.
Esta idéia de que homens e animais estão em pé de igualdade perante Deus encontra-se em Eclesiastes 3:18-21: “Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão. Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima e o dos animais para baixo, para a terra?”
A intenção aqui não é, porém, estender-me em uma tradução revisionista de todo o texto bíblico, mas sim demonstrar que erros de tradução levam a erros de interpretação. Já foi demonstrado muitas vezes que a Bíblia pode ser utilizada para defender qualquer idéia. Pela tradução tendenciosa do versículo de Gênesis 1:26, nasceu toda a concepção de que o homem é um ser semi-divino e tem o direito de sujeitar ao seu domínio todos os demais seres da criação, sujeitar a Terra. Mas e se a intenção do autor tivesse sido outra?
Gênesis 1:29 e 1:30 apresentam a primeira lei dietética estabelecida por Deus para o homem e para os outros animais “E disse Deus: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão sementes e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há frutos que dão sementes; isso vos será por alimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.”
Esses versículos demonstram que não era a intenção original de Deus, pelo menos segundo o livro de Gênesis, que o homem matasse animais para comer. A dieta vegetariana estava de comum-acordo com o plano original de Deus. Apesar disso, quantas pessoas não lêem esses versículos diariamente e deixam de refletir sobre seu significado?
O Talmud, coleção de comentários e compilações da tradição oral judaica, reforça a idéia bíblica de que, se no princípio o homem não comia carne, era porque a intenção original de Deus era que este e os demais animais fossem vegetarianos. De fato, escreveram sobre esse assunto muitos comentadores bíblicos, entre eles Rashi (1040-1105), Abraham Ibn Ezra (1092-1167), Maimônides (1135-1214), Nachmanides (1194-1270) e Rabi Joseph Albo (séc. XV).
A Bíblia conta (Gen. 2:8) que quando Deus criou o homem, colocou-o para habitar no Jardim do Éden. Nesse jardim, foi ordenado que o homem se servisse dos frutos de toda árvore (Gen. 2:16), exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gen. 2:17). Devido ao pecado original, o homem foi expulso do jardim e recebeu também a permissão para comer as ervas do campo (Gen. 3:18). Poderia-se até dizer que a Biblia sugere que Deus criou o homem frutariano, e depois o fez vegano.
Conforme a genealogia apresentada em Gênesis 5, entre Adão e Noé passaram-se dez gerações. Segundo a Bíblia, nos tempos de Noé, Deus resolveu destruir tudo com um dilúvio, porque toda a criação havia se corrompido. Noé encarregou-se de construir uma arca e salvar sua família e alguns exemplares de cada espécie animal. Conta a Bíblia que, quando as águas baixaram, seres humanos e demais animais saíram e constataram que a terra estava seca.
Podemos, porém, imaginar que, após mais de um ano submersa, já não havia sobre a terra vegetação suficiente para sustentar a todos. Foram Noé e seus filhos, segundo a Bíblia, os primeiros seres humanos que comeram carne.
Toda a harmonia que havia prevalecido entre os homens e demais animais no paraíso, após a expulsão e durante o período do dilúvio, segundo a Bíblia, deixou de existir. “Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues.” (Gen. 9:2).
Naquele momento, passaram a existir animais herbívoros e carnívoros, e o homem tornou-se onívoro: “Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora.” (Gen. 9:3). A frase como vos dei a erva verde reforça que até então eles só tinham autorização para serem veganos. Seria, porém, esta concessão pontual motivo para justificar que comessemos carne até os dias de hoje?
Segundo Rav Kook, primeiro grão-rabino de Israel, não podemos ver essa permissão para comer carne, dada a Noé em uma situação específica, como uma concessão a toda a humanidade posterior. Em sua interpretação, estava claro que se tratava de uma permissão efêmera, até que a terra voltasse a produzir o alimento. A situação em que Noé se coloca é a de um homem perdido em uma ilha deserta, sem muitos recursos à disposição.
O período das dez primeiras gerações descrito em Gênesis foi, portanto, de pessoas vegetarianas, e a Bíblia mostra que o homem só começou a consumir carne quando condições ambientais o forçaram a tal.
Há um segundo período segundo o qual o autor da Bíblia mostra que Deus pretendia tornar o homem novamente vegetariano. As escrituras contam que, quando os israelitas saíram do Egito, o plano de Deus era que aquele povo recém-liberto da escravidão vagasse pelo deserto pelo tempo necessário para que se purificasse. Foi lhes dado um alimento que caia do céu, que era “como semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel” (Êxodo 16:31, Números 11:7).
Esse alimento, simples, mas completo nutricionalmente, deveria sustentá-los pelo tempo que permanecessem no deserto (40 anos), pois em Êxodos 16:35 está escrito “E comeram os filhos de Israel manah quarenta anos, até que entraram em terra habitada; comeram manah até que chegaram aos limites da terra de Canaã.”
No entanto, durante a travessia do deserto, alguns incidentes ocorreram. As pessoas começaram a reclamar de sua dieta puramente vegetariana: “Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este manah” (Num 11:6). Por outro lado, pediam novamente pelos alimentos que consumiam no Egito – carne e peixes, entre outros (Num. 11:4-5).
A contra gosto, Deus atendeu às reclamações, providenciando carne sob a forma de codornizes, que foram sopradas pelos ventos dos mares. Porém, logo depois, Deus puniu aquelas pessoas, por não aceitarem de bom grado o alimento perfeito que Ele lhes oferecia: “Estando ainda a carne entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, quando a ira do Senhor se acendeu contra o povo, e o feriu com grande praga.” (Num. 11:33).
O lugar onde ocorreu esse incidente foi batizado de “Kivrot Hataava”, que em português significa Tumbas da Luxúria, porque foi o desejo de luxo daquele povo, e não sua necessidade, o que os levou à morte (Num. 11:34).
Essa passagem referente ao manah traz uma idéia de que poucos se dão conta: o alimento que nos é destinado é bastante simples, pode ser encontrado em abundância e nos mantém saudáveis. Por outro lado, quando buscamos alimentos que não nos são apropriados, perecemos.
Atualmente sabe-se, por diversas passagens, que a Bíblia permite o consumo de carne. No entanto, esse consumo se dá mais na base da concessão do que de uma recomendação, como se Deus dissesse: “O ideal é que o homem não coma carne, mas já que ele quer...”.
Por isso, a Bíblia estabelece alguns impedimentos que, em conjunto, são chamados de leis relativas à kashrut: a carne deve estar completamente livre de sangue (Levítico 17:10-14, 19:26; e Deuteronômio 12:16, 12:23, 15:23), somente podem ser consumidos animais considerados puros (Levítico 11), e o abate de um animal deve obedecer a um determinado ritual (Levítico 17:4).
As escrituras relacionadas refletem a observância escrupulosa de muitas regras, mas tão somente no que se refere ao consumo de produtos de origem animal. As únicas condições impostas ao consumo de alimentos de origem vegetal é que estes estejam limpos, o que é facilmente compreensível, do ponto de vista sanitário.
Qual a mensagem da Bíblia, com todas essas proibições ao consumo de alimentos de origem animal? Tornar esse consumo mais refletido, duro, impraticável. É quase impossível cumprir com todas as regras impostas pela Bíblia para o consumo de carne.
Justamente nisso está a graça. Com tantas regras, Deus parece de novo estar dizendo “O homem não deve comer carne”. Quando a Bíblia faz referência à generosidade divina (Deut. 8: 7-10; Deut. 11:14; Salmos 72:16, Amós 9:14-15; Jer. 29:5; Isaías 65:21), os produtos mais freqüentemente citados são os frutos, vegetais, sementes, vinho e pão, mas jamais as carnes.
Tal qual no Jardim do Éden, em que nem o homem nem os animais comiam carne, a promessa bíblica é a de que, com a volta do Messias, novamente o mundo se tornará vegetariano. “O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o filhote do leão e o animal doméstico andarão juntos, e um condutor pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão como o boi comerá palha. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco.” (Isaías 11: 6-8). Continua Isaías (65:25): “O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o SENHOR DEUS.”

*Extraído de algum lugar da internet que não me recordo no momento; se alguém conhecer a fonte, por gentileza cite-a para que o devido crédito seja dado.

MÁXIMO RESPEITO!